Associação Brasileira Rede Unida, 13º Congresso Internacional Rede Unida

Anais do 13º Congresso Internacional da Rede Unida

v. 4, Suplemento 1 (2018). ISSN 2446-4813: Saúde em Redes
Suplemento, Anais do 13ª Congresso Internacional da Rede UNIDA
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DELEGAÇÃO DE TAREFAS: UMA FUNÇÃO ADMINISTRATIVA SENDO DESENVOLVIDA NA DISCIPLINA DE GESTÃO EM ENFERMAGEM E SAÚDE
Brenda Alice Andrade Vidigal, Solana Nunes Vieira, Adilson Santos Andrade Júnior, Diego da Silva Tamaturgo, Fernanda de Azevedo Martins da Costa, Larissa Esthefani Barros Cirino, Alex Martins

Última alteração: 2018-01-25

Resumo


APRESENTAÇÃO

A grande dificuldade na gestão em enfermagem está relacionada com o produto do trabalho, que no caso é o cuidado de qualidade. Em outras palavras, o produto do trabalho em enfermagem é a saúde do cliente. Dessa maneira, além do enfermeiro lidar com a equipe de enfermagem, que é composta pelo técnico e auxiliar de enfermagem, há a necessidade de que o profissional enfermeiro tenha um olhar diferenciado para que o serviço seja realizado com excelência e as metas sejam alcançadas. Entretanto, liderar equipes e delegar tarefas não são atividades simples.

Quando se trata de acadêmicos de enfermagem, que na sua maioria ainda não tiveram contato ou não desempenharam atividades relacionadas ao desenvolvimento de habilidades de liderança, essa atividade é ainda mais complexa. Por esse motivo, a graduação exerce um papel importante nesse primeiro momento, cuja necessidade de acompanhar e orientar os alunos são de extrema importância para que estes adquiram habilidades essenciais para a gestão.

Torna-se necessário relatar experiências das habilidades de liderança desenvolvidas durante a graduação, por ser uma maneira de nortear outros acadêmicos de enfermagem no desenvolvimento de habilidades gerenciais, como a liderança e tomada de decisão, além de proporcionar aos discentes a vivência prática de uma atividade profissional, durante a graduação, como pilar estrutural para os futuros gestores. Dito isso, o trabalho tem por objetivo descrever o processo de aprendizado da liderança e tomada de decisão entre acadêmicos de enfermagem, através de um relato de experiência das aulas ministradas no campo prático da disciplina de Gestão em Enfermagem e Saúde.

 

DESENVOLVIMENTO

Primeiramente, a delegação de tarefas deve ser estudada de acordo com o potencial de cada integrante da equipe, demonstrando que o trabalho também deve ser satisfatório para quem executa. Essa tomada de decisão pode ser em conjunto com a equipe ou de forma autocrática, lembrando que a opinião dos colaboradores deve ser ouvida e analisada, porém a tomada de decisão deve ser de maneira justa e firme, partindo da ideia de que a figura do líder deve passar segurança à equipe.

As aulas práticas de gestão em enfermagem e saúde iniciaram em uma Estratégia Saúde da Família (ESF), no qual a enfermagem participa diretamente da gestão. E o segundo campo de prática foi uma Unidade Básica de Saúde (UBS) tradicional.

Entre os acadêmicos, o exercício da liderança foi realizado em aula prática por meio de escalas, nas quais a média era de um ou dois líderes por dia, dependendo do preceptor. O líder era responsável por supervisionar os demais acadêmicos quanto à pontualidade e assiduidade, realizar a escala diária dos setores, fazer o remanejamento de pessoal, resolver conflitos, delegar tarefas e acompanhar a gerente da unidade de saúde.

As delegações de tarefas eram distribuídas logo no primeiro horário, por meio de escalas pré-estabelecidas pelos líderes de equipe, dentre as atividades estavam: passagem de plantão, diagnóstico situacional, cálculo de ocupação de leitos, preenchimento do livro de ocorrências, verificação do carro de parada e validade de medicamentos.

 

RESULTADOS

Com relação ao primeiro campo de prática, a enfermagem participa diretamente da gestão. Neste local, a delegação de tarefas por parte da enfermeira não foi observada com clareza, se configurando em um ponto fraco da unidade, principalmente quando se trata dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) no qual cabe ao profissional enfermeiro (a) privativamente supervisionar e direcionar as visitas domiciliares. Além de ser algo prejudicial para a gestão da assistência na Atenção Básica (AB), pois pode ocorrer um descontrole quanto à saúde da população e desconhecimento por parte da equipe das reais necessidades de sua área adstrita.

As habilidades exigidas para os campos práticos são desenvolvidas a partir das aulas teóricas que exercem influências positivas e negativas, dependendo do vínculo de confiança estabelecido entre acadêmicos e preceptores. Estes exercem a função de mediadores entre a equipe da unidade de saúde e os acadêmicos, além de todo acompanhamento das atividades. Dessa maneira, é necessária a colaboração de todos para o bom desenvolvimento das atribuições do líder, visto que a atividade de liderança merece uma atenção maior por ser um meio de gerar conflitos interpessoais.

Com a mudança de campo para a unidade tradicional, pode-se notar uma maior organização da equipe e a prática da delegação de tarefas era dada em conjunto com os colaboradores por meio de reuniões com periodicidade relativa, que dependiam da necessidade de remanejamento de funcionários ou mudanças nos setores. Esse método ajuda a equipe na corresponsabilidade de tudo que é transmitido, proporcionando conhecimento a todos da distribuição das funções e evita desordens e achismos.

Ao acompanhar as gerentes das unidades estudadas, observou-se a forma de delegar tarefas, na qual as ordens por vezes eram estabelecidas de forma flexível, ou de uma maneira mais ríspida, dependendo de cada situação. Ao se colocar em prática a atividade de delegação de tarefas por parte dos líderes do dia, observa-se que tais atividades vão sendo desenvolvidas e amadurecidas com o passar dos dias.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É indiscutível a necessidade de um líder para tomada de decisões, delegação de tarefas para sua equipe, atenção para a constante necessidade de se motivar os colaboradores, gerenciar conflitos de forma justa e ética. Portanto, todas essas habilidades necessitam de tempo para serem desenvolvidas e incorporadas na prática diária do profissional.

O exercício da liderança não é simples e exige um preparo maior para delegações de tarefas e tomadas de decisões. Durante as aulas práticas, percebeu-se que a insegurança e imaturidade dos acadêmicos podem ser prejudiciais no inicio, porém o conhecimento teórico adquirido determina seus primeiros passos e sua capacidade de observar possíveis mudanças e melhorias.

Desenvolver liderança é explorar as diferenças entre os acadêmicos de enfermagem e consequentemente as diferentes formas de se delegar tarefas, uns mais autocráticos, outros liberais e ainda alguns democráticos.

Toda experiência desenvolvida influencia no trabalho que será realizado depois da graduação e no comprometimento profissional dos estudantes de enfermagem. É notável a importância da disciplina Gestão em Enfermagem e Saúde para a preparação dos futuros enfermeiros e para uma mudança significativa dos serviços públicos de saúde, no qual a gerencia por muitas vezes é falha. Portanto, o empenho dos discentes e a atualização de recursos metodológicos que colaborem para bons resultados no processo de ensino aprendizagem da gestão em enfermagem e saúde são essenciais, para a formação de profissionais preparados para enfrentarem os mais diversos cenários da saúde.


Palavras-chave


Enfermagem; Equipe de Enfermagem; Administração de Serviços de Saúde.