Associação Brasileira Rede Unida, 13º Congresso Internacional Rede Unida

Anais do 13º Congresso Internacional da Rede Unida

v. 4, Suplemento 1 (2018). ISSN 2446-4813: Saúde em Redes
Suplemento, Anais do 13ª Congresso Internacional da Rede UNIDA
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Tecnologias sociais da terapia ocupacional na educação: o fazer e o ser do aluno do ensino médio
Angela Maria Bittencourt Fernandes da Silva, Ana Carolina Silva Barbosa, Samara Cristhina Rosa de Lima, Angela Maria Teixeira de Oliveira Vieira, Yasmim Gomes de Mesquita, Mylena Cardoso da Silva, Victoria Amorim Correa de Souza

Última alteração: 2017-12-21

Resumo


Apresentação:

 

A expansão do ensino médio, iniciada nos primeiros anos de década de 1990, não pode ser caracterizada ainda como processo de universalização nem de democratização, devido às altas porcentagens de jovens que permanecem fora da escola, à tendência ao declínio do número de matrículas desde 2004 e à persistência de altos índices de evasão e reprovação. Além disso, o processo de expansão reproduz a desigualdade regional, de sexo, cor/raça e modalidade de oferta: ensino médio de formação geral e ensino técnico de nível médio.

 

A demanda crescente de escolarização diante da desvalorização dos diplomas em virtude da expansão do ensino e da necessidade de competir no exíguo mercado laboral, bem como de socializar a população em uma nova lógica do mundo do trabalho, pode acarretar perda da identidade, pois o ensino médio se caracteriza como trampolim para a universidade ou a formação profissional.

 

Têm-se observados na rotina escolar, com vários reflexos de subjetividade agressiva, tais como: rebeldia, atitudes violentas, autodesvalorização acompanhada de crises depressivas ou maníacas, que podem estar associada ao narcotráfico, falta de políticas públicas preventivas direcionadas ao segmento infanto-juvenil da população oportunizando aumento da evasão e da violência, intra e extra-escolar com características de dominação e constrangimento, não só entre os colegas, mas para com os professores.

 

Tendo em vistas as evoluções das teorias mundiais em educação, o Brasil se adequou e aprovou Leis que preconizam a Inclusão nos diferentes níveis de ensino, fazendo com que a Educação Inclusiva se tornasse área de atuação compatível ao conhecimento do Terapeuta Ocupacional. Nesse sentido, a lei 9.394, de 1996, esclarece que a educação inclusiva é um processo em que se amplia a participação de todos os estudantes nos estabelecimentos de ensino regular.

 

Nesse sentido, a escola precisa despertar para essas situações, pois ela se agrava a cada dia, sendo necessários momentos de reflexões sobre o assunto para não permitir que o ambiente escolar se torne palco de violência física, psíquica, moral, em vez de espaço privilegiado para a difusão do conhecimento, expansão intelectual e afetiva do aluno.

 

Desta forma, a intervenção no corpo que transita em diversos cenários e do cuidado que acolhe se configura como gerador de conhecimento e metodologia de ação, os quais buscam minimizar as contradições, a violência (gênero, obesidade, etnia, comunitária, social) e a evasão, pelo FAZER (oficinas de sensibilidade) e SER (relações do corpo nos espaços- família/ escola).

 

A Terapia Ocupacional é a profissão da área da saúde que atua na reabilitação e habilitação funcional de pessoas promovendo independência e autonomia, aquisição dos requisitos para continuidade no desenvolvimento humano e promoção do bem-estar biopsicossocial, cuja ação mediadora estabelecida com o Outro, por intermédio das atividades se inserirem com e no território.

 

Neste sentido o presente trabalho pretende apresentar as observações das atividades realizadas pelo projeto de pesquisa intitulado TRAMA ESCOLAR: REVERTENDO VIOLÊNCIA, SEMEANDO FUTURO, vinculado aos núcleos de pesquisa do CNPq GAPITTO e o Núcleo de tecnologias sociais do IFRJ, cujo objetivo é descrever a atuação da terapia ocupacional no contexto escolar. Identificar com a vivência dos sentidos do corpo, o afloramento de expressões, sentimentos e emoções predominantes dos adolescentes por meio da comunicação verbal e não verbal. Analisar como as relações emocionais, surgem no conviver cotidiano do aluno frente aos seus contextos, interesses, dificuldades e potencialidades.

 

Metodologia:

 

Este trabalho discute a proposição de Oficinas de Sensibilidades com adolescentes do nível médio técnico do Município de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. São elaborações que partem de atividades de pesquisa e extensão universitária, que debruçaram sobre a temática da Educação e Violência no âmbito escolar.

 

Estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa, com abordagem qualitativa ancorada na cartografia de Passos, que visa identificar as linhas de forças que atuam na decisão do aluno frente à diversidade. A coleta de dados se baseou em oficinas de sensibilidade, pela construção do FAZER e pela projeção inconsciente dos alunos sobre as questões de violência, comuns no cotidiano escolar.

 

Nesse sentido, o mesmo se dividirá em quatro eixos investigativos visando identificar (rastreio) de onde vem e que ano cursam. O tocar que será realizado por meio de questionário (identificar dados socioculturais e testes cognitivos), oficinas (oportunizar a verbalização dos alunos sobre comportamentos e sentimentos frente às diversidades).  No pousar serão exploradas as diferentes perspectivas da diversidade, a fim de construir o caminho teórico possível para trazer à visibilidade a experiência da terapia ocupacional frente ao aluno e a escola.  E por último (reconhecer), analisar os dados obtidos nos discursos deles e nos jogos, testes e observações.

 

Resultados:

Segundo Abramovay (2009) a escola é um elemento que demanda atenção especial no processo de socialização. Nesse sentido, as oficinas têm identificado que linhas de forças atuam sobre esta unidade de ensino. Primeiro pela sua localização (violência, fora do comercio) e segundo pelas dificuldades dos alunos verbalizarem seus afetos e desafetos, pois se sentem acuados e com receio de serem identificados como o “diferente”.

 

As oficinas têm oportunizado entrelaçamentos da vivência dos adolescentes em atividades coletivas, pela utilização de diferentes recursos (rodas de conversa, pintura e desenho), as quais favorecem o investigar sobre a temática violência, educação e projetos futuros. Desta forma, o princípio de talento, da habilidade foi se distanciando do que perpassa apenas pelo sentido do apto, mas evidenciado no fazer, no criar independente da construção realizada, favorecendo as projeções inconscientes de sentimentos bloqueados e não percebidos pelos adolescentes.

 

Este estudo tem se caracterizado como desafiador, pois se desenha sob o olhar do desconhecido, tanto para o sujeito que sofre a modificação (adolescentes), quanto aos envolvidos e participantes nesse contexto, ou seja, tem sido novidade para todos experienciar esses momentos, o que se constituí entrave e que emergem conflitos em sala de aula. Eles conseguiram relatar que o viver na escola é muito difícil, pois muitos docentes vêm da graduação exigindo deles o acompanhamento diário que não condiz com o ensino realizado nas escolas do estado, onde a maioria dos docentes não tem mestrado.

 

Outro fator verificado foi em relação entre alunos que faz emergir o eu em oposição ao outro, cabendo ao terapeuta utilizar-se das situações de conflito para questionar, refletir, conscientizar e administrar esta situação, levando o aluno a construir o seu próprio conhecimento. Com isso pode-se perceber a presença de laços de afetos dentro deste contexto.

Conclusão:

Conclui-se que o conhecimento constituído pelo processo de interação entre os sujeitos, que envolve ativamente na produção do seu conhecimento e o amplia-o quando o discute com o outro. Assim, a pesquisa precisa ser encarada como espaço de humanização, de formação onde o afeto, onde o respeito mútuo e o diálogo devem prevalecer para o desenvolvimento humano.

 

O recurso do FAZER CRIATIVO está permitindo o aprofundamento do vínculo entre a terapia ocupacional com os jovens produzindo espaços de convivência que possibilitam o respeito  pautadas as relações dentro do espaço escolar, além de responder ao acolhimento e a integração dos mesmos na escola


Palavras-chave


Terapia Ocupacional Social; Educação; Escola Pública; Adolescência e Juventude.