Associação Brasileira Rede Unida, 13º Congresso Internacional Rede Unida

Anais do 13º Congresso Internacional da Rede Unida

v. 4, Suplemento 1 (2018). ISSN 2446-4813: Saúde em Redes
Suplemento, Anais do 13ª Congresso Internacional da Rede UNIDA
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AMBIVALÊNCIA NA HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA PROFISSIONAL AO PROCESSO DE PARTO EM PORTO VELHO-RO
Vivian Rodrigues Tadeus, Elen Petean Parmejiani

Última alteração: 2018-01-21

Resumo


A assistência obstétrica humanizada inclui assistir a mulher no seu processo de parturição de modo seguro, acolher, ouvir, reconhecer e respeitar a individualidade de cada uma, explicando cada procedimento a ser realizado e agir de modo a proporcionar o exercício da autonomia feminina. Porém, nem sempre as práticas profissionais são conduzidas por esse prisma. Buscou-se, assim, identificar na experiência de mulheres que vivenciaram a parturição em uma maternidade pública de Porto Velho-RO elementos contribuintes e prejudiciais para a humanização da assistência ao processo de parto. Trata-se de estudo descritivo, qualitativo, realizado no período de janeiro a março de 2016, após aprovação ética (Parecer nº 1.806.372/CEP/UNIR). O corpus empírico foi composto por meio da entrevista semiestruturada, realizada com três puérperas, que tiveram parto vaginal na maternidade de pública de Porto Velho. Tem-se como limitação do estudo o número de participantes, pois a coleta de dados, que já estava autorizada, foi impedida pela direção da maternidade. A análise categorial temática permitiu identificar dez unidades de significado que caracteriza, na ótica das puérperas sua experiência de parturição, das quais destacou-se as que caracterizam a assistência profissional: assistência, dor, protagonismo, acompanhante, intervenções e esclarecimento, que resultou na categoria empírica: “Ambivalência na assistência profissional no processo de parto”, apresentada neste recorte. As mulheres entrevistadas evidenciaram como elementos qualificadores do cuidado profissional  atitudes de dar atenção, explicar, incentivar, ficar junto e a oferta de tecnologias não farmacológicas para alívio da dor, de acordo com o seu desejo de utilizá-las, destacando a equipe de enfermagem como principal promotora dessas ações, que proporcionaram encorajamento e satisfação ao vivenciarem o parto. Todavia, quando não se sentiram respeitadas na sua singularidade devido às atitudes dos profissionais de não atenderam seu chamado por ajuda, ignorarem sua necessidade de informações sobre a evolução do trabalho de parto, executarem intervenções sem o devido esclarecimento dos seus objetivos e quando a equipe impôs a elas tecnologias para alívio da dor e/ou posições, as mulheres demonstram-se insatisfeitas com assistência, o que contribuiu para uma percepção negativa sobre a experiência da parturição nessa maternidade.  Conclui-se que em uma única experiência de parturição, a assistência profissional na maternidade pública de Porto Velho-RO, é percebida, no que tange a humanização, de modo ambivalente. Preocupa a mecanização e o mal emprego das boas práticas, ao serem impostas à mulher sem envolvê-la na assistência, reforçando sua submissão ao saber profissional. Há a necessidade de ações de sensibilização e educação permanente com equipe profissional visando o distanciamento do paradigma biomédico, para que se possa assumir a humanização como referencial orientador do cuidado às mulheres, restituindo a elas seu protagonismo no processo de parturição.

 


Palavras-chave


Mulher, Humanizaçao da Assistencia, Parto Humanizado