Associação da Rede Unida, 13º Congresso Internacional Rede Unida

Anais do 13º Congresso Internacional da Rede Unida

v. 4, Suplemento 1 (2018). ISSN 2446-4813: Saúde em Redes
Suplemento, Anais do 13ª Congresso Internacional da Rede UNIDA
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RODA DE CONVERSA NA UNIDADE PEDIÁTRICA: O USO DA METODOLOGIA PROBLEMATIZADORA
ADRIANE DAS NEVES SILVA, ANA MARIA BRAGA DE OLIVEIRA

Última alteração: 2017-10-24

Resumo


Apresentação: O projeto de intervenção resultante da pesquisa intitulada Institucionalização da Educação Permanente em Saúde: Vivências com o Uso de Metodologias ativas, que teve o intuito de sensibilizar gestores e profissionais para as contribuições da Política Nacional de Educação Permanente em saúde (PNEPS) como estratégia de promoção da integralidade das ações de saúde, com a utilização de situações reais ou simuladas do cotidiano de trabalho na saúde em uma unidade pediátrica no município de Duque de Caxias. A educação permanente em saúde (EPS) para fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), se baseia na problematização e na aprendizagem significativa. A problematização envolve a reflexão, isto é, pensar sobre determinadas situações e questioná-las de modo a compreender a maneira como os processos são desencadeados. Já a aprendizagem significativa acontece quando aprender uma novidade faz sentido para nós. Quando a novidade responde a uma pergunta/inquietação e/ou quando o conhecimento novo é construído a partir de um diálogo, o que difere da aprendizagem mecânica, é que retemos o conhecimento, acumulando e renovando experiências (BRASIL, 2005, p.8). Nesta perspectiva, o projeto busca provocar a reflexão dos trabalhadores frente ao seu processo de trabalho, a partir da incorporação do ensino e de práticas laborais que contemplem a problematização do próprio saber e, desperte no trabalhador sua autonomia, deixando de ser mero receptor das informações e tornando-se protagonistas e construtores de seus conhecimentos. Para Freire (1987), o homem precisa ter uma reflexão sobre a realidade e intervir (ação) em seu ambiente concreto. Na área de saúde, esse profissional é capaz de desvelar novos conhecimentos, novas soluções para os problemas que emergem no cotidiano do trabalho. Almejando alcanças o objetivo proposto, a roda de conversa contou com a participação de profissionais de saúde e gestores da saúde, docentes e discentes do curso de enfermagem da Universidade Augusto Mota – no Rio de Janeiro. Objetivo: relatar a experiência vivenciada durante uma ação educativa em saúde sobre situações do cotidiano de trabalho num complexo infantil da rede pública no município de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Método: refere-se a um estudo do tipo relato de experiência, realizado com profissionais de saúde. Foi utilizado o recurso metodológico da roda de conversa com 36 participantes em duas rodas. A proposta visou mudanças no processo de trabalho que começa estimulando os sujeitos a refletir e dialogar sobre o trabalho em saúde, através da promoção de espaços de diálogo e troca de experiências, de forma crítica e reflexiva. As rodas foram realizadas em 03 momentos, a primeira em 20 de outubro de 2016, a segunda em 11 de novembro de 2016 e a terceira em 05 de abril de 2017 com carga horária de 6 horas. Resultados: durante a roda foram abordadas várias situações vivenciadas, que traziam o enfoque de alguns temas importantes, como a humanização do cuidado, uma demanda que cresce nas unidades de saúde. Outro tema destacado foi a relação entre usuários e profissionais de saúde, e o impacto da superlotação nessa relação e, o acolhimento dos profissionais de saúde com enfoque na qualidade de vida no trabalho. Verificamos que a participação dos profissionais de saúde foi efetiva ao que foi proposto. Problematizar as questões do cotidiano de trabalho nas rodas de conversa proporcionou aos participantes a oportunidade de expor suas experiencias e construir soluções para os problemas que eram enfrentados a cada novo dia na unidade de saúde. A atividade desenvolvida posteriormente foi avaliada, tendo resultado positivo por parte dos profissionais. A utilização da roda, com a problematização do cotidiano faz-se relevante, como ferramenta de cuidado, por discutir situações reais do cotidiano da unidade pediátrica, e valorizar os protagonismos, bem como a integração da equipe de saúde. Considerações finais: A utilização da roda de conversa surpreendeu os profissionais pois os mesmos não tinham o hábito de refletir o cotidiano de trabalho e construir ações de enfermagem a partir dessa reflexão para resolução de problemas. E para eles verificou-se a importância da relação dialógica e do envolvimento da equipe multiprofissional, a fim de minimizar os problemas que se repetem diariamente na unidade pediátrica.

Referências Bibliográficas

BRASIL. A Educação Permanente entra na roda: polos de educação permanente em saúde. Conceitos e caminhos a percorrer. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2005. 36 p.

_______. Ministério da Saúde. Portaria Nº 198/GM/MS de 13 de fevereiro de 2004. Institui a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde como estratégia do Sistema Único de Saúde para a formação e o desenvolvimento de trabalhadores para o setor e dá outras providências. Brasília: Ministério da Saúde, 2004c.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17ª Edição. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra, 1987.

 


Palavras-chave


Enfermagem. Problematização. Educação Permanente em Saúde. Saúde