Associação Brasileira Rede Unida, 13º Congresso Internacional Rede Unida

Anais do 13º Congresso Internacional da Rede Unida

v. 4, Suplemento 1 (2018). ISSN 2446-4813: Saúde em Redes
Suplemento, Anais do 13ª Congresso Internacional da Rede UNIDA
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VIVÊNCIA HOSPITALAR NO PROCESSO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL DO ACADÊMICO DE ENFERMAGEM – RELATO DE EXPERIÊNCIA NO SETOR DE POLITRAUMA
Paulo Philip de Abreu Gonzaga, Camila Soares Santos, Beatriz Graça de Araújo, Bárbara Juliana Carvalho Costa, Ester Alves de Oliveira, Marcos Lima do Nascimento, Victor Nei Vasconcelos Monteiro, Iracema da Silva Nogueira

Última alteração: 2017-12-06

Resumo


Introdução: No Brasil, tem-se o entendimento que a formação superior, especialmente a universitária, baseia-se em pressuposto cujas finalidades da educação não são simples nem unidimensionais, mas funcionam com um conjunto bastante definido de fins que possuem grande aceitação, na qual, visam buscar por uma formação mais abrangente que garanta o desenvolvimento integral do estudante. Com o intuito de proporcionar os princípios de um crescimento nos aspectos acadêmicos, profissionais e culturais dos estudantes, as universidades têm apresentado um conjunto amplo de propostas de trabalho, compondo os projetos pedagógicos dos cursos, não o restringindo à grade de disciplinas dos cursos. As práticas de atividades multidisciplinares visam oferecer uma formação mais ampla aos estudantes, através de experiências que ampliam a graduação dos mesmos, acrescentando o contato com diversas áreas de conhecimento e experiências, na qual possuem potencial para contribuir no seu processo de formação. Nesse contexto, é de relevância importância para a formação de um corpo de conhecimento bem estruturado a respeito de sua própria área, que o acadêmico de enfermagem possa ter a oportunidade de acompanhar as atividades hospitalares de média e alta complexidade de forma supervisionada, tornando, a referida vivência, uma contribuidora no processo formativo no que tange à formação profissional, pois oportuniza aos participantes conhecer na realidade qual a função do enfermeiro e da equipe de enfermagem no setor de urgência e emergência no contexto hospitalar. Objetivo: Relatar a experiência obtida a partir da vivência acadêmica supervisionada pelo enfermeiro chefe do Setor de Politrauma de um Hospital público da cidade de Manaus. Metodologia: Trata-se de um relato de experiência de caráter descritivo, que utiliza o método de observação incorporada das atividades desenvolvidas durante os meses de junho a agosto de 2017, por acadêmicos do 4º período do Curso de Enfermagem da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESA) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O local alvo da experiência relatada faz parte da esfera estadual de assistência à saúde, onde realiza atendimento às vítimas de politrauma, sendo o mesmo, referência em traumas de cabeça e pescoço. Resultados: Inicialmente, houve um convite aos acadêmicos do referido Curso, por parte do enfermeiro chefe do referido Setor, com o intuito de ampliar as vivências hospitalares, proporcionando, assim, uma troca positiva de experiências. Tal convite se deu por ocasião de uma das aulas práticas da disciplina Fundamentos de Assistência ao Paciente, onde os acadêmicos vivenciam suas primeiras experiências no âmbito hospitalar, no que se refere às disciplinas obrigatórias da matriz curricular. As atividades foram desenvolvidas em regime de 12 horas semanais e constituíram-se preliminarmente, em visitas acompanhadas pelo referido enfermeiro, momento em que foi explicado o funcionamento da área de classificação de risco, enfatizando que se baseia na triagem do paciente para definição do tempo de espera para o atendimento médico, priorizando o atendimento de alto risco. Isso foi essencial para ter os fundamentos básicos para o desenvolvimento das atividades no Setor de Urgência e Emergência. Posteriormente, foi vivenciada, sob orientação e supervisão do profissional, o processo de cuidar do paciente de média e alta complexidade. Os procedimentos realizados foram efetuados pelo profissional, e os acadêmicos os observavam, correlacionando com alguns dos conhecimentos teóricos adquiridos na Universidade, o que gerou grande contribuição para a formação de um saber baseado em experiências reais. Esse momento foi essencial para que, com base nos problemas encontrados, os acadêmicos fossem instigados a raciocinar e buscar soluções baseadas em conhecimentos técnicos, científicos, éticos e humanos para garantir assim, uma assistência de enfermagem segura aos pacientes. É importante destacar que todas as ações executadas pelos acadêmicos, jamais foram feitas sem a supervisão contínua do enfermeiro e, sem dúvidas, essas experiências contribuíram de forma positiva para todos os envolvidos, trazendo novos conhecimentos sobre o atendimento ao paciente crítico e o funcionamento hospitalar na prática, indo além do que é explicado dentro dos muros da Universidade. Nesta perspectiva, entende-se que é imprescindível que o desenvolvimento de atividades extracurriculares através de vivências, não somente em hospitais, se mostrem muito benéficas no processo de formação acadêmica Dentre as atividades realizadas, destacam-se: avaliação clínica e funcional, anamnese e exame físico, punção venosa e administração de medicamentos, leitura de exames complementares, admissão de pacientes, curativos, aspiração endotraqueal, sondagem vesical e nasogástrica, além de atividades que permitiram compreender a importância de uma equipe multidisciplinar para o funcionamento de um Pronto Socorro, pois, percebeu-se que a qualidade da assistência à saúde não se faz apenas com uma categoria profissional. A assistência é viabilizada pelo diálogo entre profissionais visando um atendimento livre de danos e riscos para o paciente que busca o atendimento de saúde, já que o processo de trabalho é feito de relações interpessoais e estas podem influenciar de forma positiva ou negativa no dia a dia dos profissionais e usuários do sistema de saúde, podendo gerar dificuldades e relações desfavoráveis e tensas, prejudicando o desenvolvimento das ações na assistência à saúde. Por isso, é indispensável à promoção de relacionamentos saudáveis e harmoniosos com a equipe, para assim, desenvolver e promover o cuidado terapêutico aos pacientes. Conclusão: Considera-se que essas atividades contribuíram de forma expressiva para a complementaridade na formação dos acadêmicos, possibilitando vivenciar a atuação do profissional de enfermagem, contribuindo para o processo de formação e preparando para a futura inserção no mercado de trabalho. Dessa maneira, reitera-se que é necessário o desenvolvimento de atividades extracurriculares, com o intuito de preparar o acadêmico para as reais experiências em sua área, possibilitando a vivência hospitalar além das práticas obrigatórias da matriz curricular do curso, expandindo dessa maneira a interação de ensino. Vale ressaltar que essas vivências propiciam aos alunos inúmeras situações que exigem raciocínio clínico, técnico, cientifico bem estruturado, formado a partir de trocas benéficas de experiências e conhecimentos entre acadêmicos e profissionais assistenciais, enfatizando assim, a importância da integração do ensino e serviço para os acadêmicos da área de saúde. Além disso, a experiência possibilitou constatar a importância e a necessidade dos profissionais de enfermagem, notadamente do enfermeiro, no setor de urgência e emergência, ampliando os horizontes do acadêmico quanto à futura atuação, promovendo assim, uma prática profissional de modo crítico e reflexivo.


Palavras-chave


Educação em Saúde; educação em enfermagem; prática profissional