Associação Brasileira Rede Unida, 13º Congresso Internacional Rede Unida

Anais do 13º Congresso Internacional da Rede Unida

v. 4, Suplemento 1 (2018). ISSN 2446-4813: Saúde em Redes
Suplemento, Anais do 13ª Congresso Internacional da Rede UNIDA
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IDENTIFICAÇÃO DE TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO NA DINÂMICA ORGANIZACIONAL E NO PROCESSO DE TRABALHO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM
Solana Nunes Vieira, Brenda Alice Andrade Vidigal, Adilson Santos Andrade Júnior, Diego da Silva Tamaturgo, Fernanda de Azevedo Martins da Costa, Larissa Esthefani Barros Cirino, Alex Martins

Última alteração: 2017-12-19

Resumo


APRESENTAÇÃO
A enfermagem é uma profissão que tem a gestão como ponto forte do trabalho. O enfermeiro é o responsável por sua equipe, técnicos e auxiliares de enfermagem, além de gerenciar a gestão do ambiente, materiais e equipamentos, sendo as funções administrativas essenciais para um atendimento adequado. Por isso a importância do desenvolvimento de habilidades administrativas na Enfermagem durante a graduação, curso no qual são abordadas aulas teóricas acerca das teorias da administração, que irão embasar a prática assistencial e administrativa, e proporcionar um ambiente de trabalho mais organizado e sistemático.
As Teorias da Administração influenciam na dinâmica de trabalho em vários contextos, e inclusive em nossa vida diária, não apenas em uma empresa que possui um administrador como funcionário. Assim, encontramos características das teorias administrativas no âmbito hospitalar, compondo o arcabouço da temática Gestão em Enfermagem. No presente estudo, apresentamos um relato de experiência das aulas práticas da disciplina de Gestão em Enfermagem e Saúde realizadas em um hospital pediátrico estadual de médio porte, cujo objetivo é descrever atividades do processo assistencial que possam refletir às teorias da administração e suas influências na organização do trabalho da enfermagem.
DESENVOLVIMENTO
Quanto ao local escolhido para desenvolver a presente pesquisa, ele é um hospital específico para atendimento pediátrico, independente da especialidade, sendo organizado de acordo com o atendimento procurado. Foi escolhido um setor para realizar a pesquisa, a Enfermaria Pediátrica II, com leitos infantis (0 a 24 meses). É composto por duas enfermarias, uma com cinco leitos e outra com seis. No primeiro quarto, as crianças internadas eram de 0 a 6 meses, e no segundo de 7 a 24 meses. Quanto à sua estrutura, era bem organizado e proporciona um adequado ambiente de trabalho, mesmo que materiais, como armários, estivessem quebrados. O posto de enfermagem era composto por uma mesa e duas cadeiras, e uma mesa no corredor com o computador e mais três cadeiras, para anotações da equipe e prescrição e atualização dos prontuários dos pacientes.
As enfermeiras estavam atentas em conferir os materiais de emergência diariamente, que é uma atribuição da equipe, mas quando questionadas se conferiam os materiais de uso comum, como seringas, medicamentos, gazes, entre outros, relataram que era função do setor farmácia e que por isso não os conferiam.
Durante a permanência de uma criança no hospital, diariamente se realiza registros e anotações da evolução clínica. No local de estudo, o registro do exame físico do paciente era realizado em uma folha avulsa e, após, atualizado em seu prontuário. Essa folha avulsa, mesmo sendo uma folha de informação criada pela instituição, não é considerada, pelos funcionários como documento legal, o que aumenta o excesso de papelada que a equipe de enfermagem precisa atentar e ser responsável.
O enfermeiro do plantão noturno é o responsável pela divisão do trabalho que será realizado pelos técnicos de enfermagem do plantão diurno, porém não tive conhecimento do critério escolhido para a função de cada um. No início do dia, com a troca do funcionário noturno para o diurno, as instruções da situação de saúde são passadas entre os funcionários, e podemos classificar essa troca de informações no início do trabalho como passagem de plantão. Na unidade estudada e nos dias de aula prática, uma passagem de plantão foi realizada no posto de enfermagem e outra realizada leito a leito. Porém a comunicação entre a equipe ocorreu de maneira falha, uma vez que não foi observada trocas de informações sobre o planejamento para o dia de trabalho e o relato entre os funcionários, enfermeiro e técnico de enfermagem, sobre a forma que recebeu o plantão.
RESULTADOS
Logo de início se observa a Teoria Clássica de Fayol, que descreve o planejamento e a organização como atividades da administração, planejamento este que acontecia nas enfermarias, separando as crianças de acordo com a idade para melhor sistematização do trabalho. A conferência dos materiais por meio de classificação dos insumos e subdivisão demonstra que organizar seu ambiente de trabalho é uma forma de gerência. Fayol afirma que uma das funções do administrador é a responsabilidade por seu setor, de forma completa. Porém, faz-se necessário estabelecer protocolos operacionais padrão que padronizem essas atividades e atribuições com seus respectivos responsáveis, assegurando assim que tais atividades tenham êxito e efetivando a prática segura de atendimento, com a dupla checagem.
Com relação aos registros feitos pela equipe de enfermagem, observa a influência da teoria burocrática de Max Webber, que é tão presente em instituições de saúde, pois se baseia na organização do trabalho pelo uso de papel, no registro, na organização do atendimento de forma burocrática. Apesar da teoria de Webber proporcionar uma organização mais precisa, ainda é vista e trabalhada de forma negativa.
Quando o enfermeiro do setor realiza a divisão de trabalho entre os funcionários, põe em prática o que Taylor desejava, de diminuir o tempo ocioso dos profissionais e aumentar a produção. E a troca de informações entre os funcionários pode tornar o cuidado mais completo e diminuir a permanência no hospital, consequentemente aumentando a produtividade da equipe, porém é mais efetiva, a meu ver, quando realizada leito a leito diariamente, pois quem está recebendo o plantão observa as informações que estão sendo recebidas.
A enfermagem é uma profissão em que o foco é o cuidado, a relação entre as pessoas atendidas de maneira mais íntima, se preocupando também com as questões psicológicas dos pacientes. Assim, a Teoria das Relações Humanas embasa essa prática, que tem por objetivo efetivar a comunicação entre a equipe de enfermagem e paciente/acompanhante. Porém, quando observada a aplicação dessa teoria e a comunicação, que é o instrumento que ela utiliza, tal prática ocorre de maneira deficiente. Os resultados que se objetivam alcançar no planejamento da assistência depende da forma como é organizado o trabalho. Observou-se que as teorias são utilizadas em conjunto, que convergem em um atendimento para a população.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Assim como foi possível observar no estudo sobre as teorias da administração, constataram-se na prática que estão intimamente relacionadas às atividades gerenciais e que assim moldam a dinâmica de trabalho, a produtividade e o êxito na execução das atividades propostas à equipe de enfermagem. Estar atento aos seus funcionários e a forma como irá desenvolver habilidades ainda durante a graduação proporcionará uma visão crítica e reflexiva, necessária para o desenvolvimento de uma gestão preparada para lidar com desafios diversos. Assim, o presente estudo permitiu a identificação das influencias das teorias da administração na rotina gerencial do profissional enfermeiro, demonstrando a necessidade do conhecimento dessa temática pelos profissionais da enfermagem, confirmando a importância da apresentação de tais teorias na graduação, para apropriação da temática pelos alunos e mudança efetiva da forma de trabalho no futuro, e observar como as teorias da Administração Geral podem influenciar as atividades gerenciais na enfermagem, contribuindo assim para um atendimento de qualidade.

Palavras-chave


Administração em Saúde; Profissionais de Enfermagem; Organização e Administração.