Associação da Rede Unida, 15º Congresso Internacional da Rede Unida
v. 4, Suplemento 1 (2018). ISSN 2446-4813: Saúde em Redes
Última alteração: 2022-02-02
Resumo
APRESENTAÇÃO:
A formação do fisioterapeuta passa por uma nova transição. Como na origem profissional, decorrente de uma emergência epidemiológica que redesenha as práticas dos profissionais da saúde, no caso, a pandemia de COVID-19; bem adversa da pandemia de poliomielite do século passado. Nesse contexto, a formação do fisioterapeuta impõe demandas que evidenciam a reorientação da formação profissional, com práticas como realização do diagnóstico situacional, práticas em complexidade crescente, vivências interdisciplinares no serviço público de saúde, práticas multiprofissionais e intervenções na Atenção Básica entre outras.
Todavia, para promover avanços no processo de formação profissional, são necessárias estratégias de ensino-aprendizagem contínuas e planejar as práticas de forma integrada com os serviços de saúde. Mas será que temos instituições formadoras comprometidas com estas premissas; com as Diretrizes Curriculares Nacional (DCN)? Afinal, quem forma o fisioterapeuta brasileiro ? Este trabalho tem por objetivo promover a reflexão sobre a formação do fisioterapeuta no país a partir da análise das características das Instituições de Ensino Superior (IES) dos cursos de Fisioterapia do Brasil.
Desenvolvimento: Trata-se de uma pesquisa observacional descritiva, baseada em dados disponíveis em sites oficiais [e-MEC], referenciais teóricos e boletins de fóruns públicos sobre o ensino superior promovidos por entidades como Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul (SINPRO-RS).
Resultados: Atualmente existem 1321 cursos de Fisioterapia no Brasil. Destes, 65,5 % (n=866), são oferecidos por IES com fins lucrativos e estão localizadas em sua maioria nas regiões Nordeste (78% - n=280), Centro-Oeste (75% - n= 88) e Norte (74% - n=94). Na região Sul e Sudeste, apesar de estarem em menor número no panorama nacional (56% - n=118 e n=28 respectivamente), ainda são maioria nas regiões. As universidades públicas, por outro lado, correspondem em média a 5% das IES, formando um número bem pequeno de profissionais. Os cursos promovidos pelas universidades privadas sem fins lucrativos, como as comunitárias, vêm apresentando uma retração, com somente 28,7% dos formandos de curso de fisioterapia do país. E segundo o Fórum da Educação Superior do Sindicato dos Professores do RS, esta retração ocorre por conta de problemas financeiros que resultam quase sempre na compra por consórcios e/ou empresas maiores de ensino.
Considerações Finais:Dessa forma, uma leitura de mercantilização do ensino na saúde, têm fragilizado as projeções futuras em relação às políticas públicas para a saúde. Nos levando a alguns questionamentos e reflexões sobre a pluralidade do ensino e práticas no país; o futuro do fisioterapeuta no SUS; os novos rumos da educação superior no Brasil; a ausência de fisioterapeutas na Atenção Básica; desapropriação das DCNs; fragmentação das ações de saúde; imaginário do SUS equivocado e desacreditado e elementos potencializadores de práticas sociais coerentes com a realidade do país. E então…o que podemos esperar do futuro fisioterapeuta em relação a sua formação para uma atuação adequada às novas demandas sanitárias do país?