Associação Brasileira Rede Unida, 13º Congresso Internacional Rede Unida

Anais do 13º Congresso Internacional da Rede Unida

v. 4, Suplemento 1 (2018). ISSN 2446-4813: Saúde em Redes
Suplemento, Anais do 13ª Congresso Internacional da Rede UNIDA
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A INSERÇÃO DE ACADÊMICOS DE ENFERMAGEM DO SEXO MASCULINO NA COLETA DO EXAME PREVENTIVO DO CÂNCER DE COLO DO ÚTERO (PCCU) EM UMA UNIDADE DE SAÚDE DE BELÉM-PA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA.
Giovana Karina Lima Rolim, Aliny Cristiany Costa Araújo, Camilla Cristina Lisboa do Nascimento, Camila Leão do Carmo, Fernando Kleber Martins Barbosa, Marcos José Risuenho Brito Silva, Regiane Camarão Farias, Dione Seabra de Carvalho

Última alteração: 2018-01-26

Resumo


APRESENTAÇÃO: Este relato de experiência visa abordar a temática do PCCU sob as perspectivas de acadêmicos de Enfermagem da Universidade do Estado do Pará. Em virtude dos elevados índices de câncer de colo útero no Brasil, torna-se importante discutir o panorama atual no qual o país, sobretudo a capital do estado do Pará, está inserida.  De acordo com as estimativas do Instituto Nacional do Câncer, somente para o ano de 2016 foram esperados cerca de 16.340 novos casos a nível nacional, 1.970 e 990 notificações dos estados e das capitais da região norte, respectivamente, 820 novos casos no estado Pará e 260 novos casos em Belém (INCA, 2015). Diante desse cenário, torna-se essencial discutir o papel do enfermeiro, enquanto profissional, docente e principalmente quanto acadêmico em processo de formação, no que se refere as ações de promoção, prevenção e tratamento das afecções específicas do gênero feminino. Atualmente, a estratégia adotada para o rastreamento de câncer do colo do útero consiste na realização periódica do exame citopatológico, popularmente conhecido como PCCU ou preventivo. O rastreamento eficaz do público alvo corresponde a um dos focos principais da AB e reflete significativamente na redução dos índices de afecção e mortalidade por câncer de colo do útero. Em países onde o exame é realizado de cada três a cinco anos, com cobertura maior que 50%, as taxas de mortalidade são inferiores a três por 100 mil mulheres ao ano, naqueles onde a cobertura é superior a 70%, a taxa de mortalidade é igual ou inferior a duas mortes por 100 mil mulheres ao ano (BRASIL,2016). Infelizmente os serviços de saúde brasileiros utilizam majoritariamente o padrão de rastreamento oportunístico, no qual cerca de 20% a 25% dos exames realizados não atendem ao grupo etário recomendado e possuem intervalo menor ou igual a um ano, quando o recomendado são três anos. Dessa forma, há mulheres superrastreadas e outras totalmente descobertas (BRASIL,2016). Segundo a resolução Nº 385/2011, do Conselho Federal de Enfermagem, a coleta de material para o exame preventivo do câncer de colo do útero, consiste em um procedimento complexo, que necessita de competência técnica e científica conferida ao enfermeiro. Para tanto, é essencial que ainda na academia os discentes tenham contato com o procedimento para adquirir as habilidades necessárias. No entanto, a realidade de atendimento oferece algumas barreiras no que se refere à inserção de acadêmicos na rotina dos serviços voltados a saúde da mulher, em especial a presença de homens na coleta do exame PCCU. Dentre as barreiras encontradas estão à vergonha, o incômodo, o medo do procedimento e a própria preferência de gênero, esses fatores evidenciam a influencia da sexualidade na vida da mulher e reforçam a importância do estabelecimento do vínculo de confiança entre o profissional de saúde e a usuária, no intuito de minimizar os aspectos negativos atribuídos ao exame e alcançar maior adesão ao procedimento que deve ser realizado por enfermeiros de ambos os sexos (NOGUEIRA et. al, 2017). Este estudo tem por objetivo relatar a experiência de um grupo de acadêmicos de Enfermagem, frente ao procedimento da coleta do exame PCCU em uma unidade de Atenção Básica (AB) do município Belém-Pa., no período das aulas práticas do componente curricular de saúde da mulher. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA: Trata-se de um relato de experiência, com abordagem descritiva, realizado em uma unidade de saúde da Atenção Básica, localizada no bairro de Fátima do município de Belém-PA. Este estudo foi desenvolvido durante as aulas práticas do componente curricular de saúde da mulher na AB. Inicialmente o grupo composto por 5 integrantes (3 mulheres e 2 homens) foi divido em dois subgrupos, os quais foram alocados para setores distintos. O subgrupo no qual as 3 acadêmicas foram selecionadas iniciou os atendimentos pela sala de coleta do exame PCCU, enquanto que os dois acadêmicos homens iniciaram as atividades pela sala de vacina, triagem e consultas de pré-natal. No decorrer dos 15 dias de aulas práticas na unidade de saúde, os subgrupos se revezaram entre os setores e atendimentos oferecidos, tais como: aferição de pressão arterial, verificação dos dados antropométricos, consultas de enfermagem e baixas de pré-natal, cadastros no sistema operacional da sala de vacina, atendimento de imunização, bem como o acolhimento, agendamento e realização do exame PCCU. RESULTADOS: Este estudo possui enfoque na prática atrelada ao procedimento de coleta do exame preventivo do câncer de colo do útero, portanto os resultados encontrados serão estritamente relacionados a temática, independente das experiências nos demais setores. Logo, tornou-se possível observar que durante os 15 dias destinados as aulas práticas de saúde da mulher, o quantitativo de coletas realizadas pelo grupo foi distinto. No subgrupo das três acadêmicas, cada uma fez em média 3 coletas supervisionadas pela preceptora e acompanhou pelo menos mais duas, enquanto que dos dois acadêmicos, apenas um conseguiu visualizar o procedimento completo. Os homens tiveram acesso maior à parte burocrática relacionada ao serviço, ou seja, ao agendamento do procedimento, registros e entrega dos resultados laboratoriais. Notou-se ainda, a grande resistência e insegurança por parte das usuárias quanto à inserção dos acadêmicos homens durante o procedimento, mesmo que fosse apenas para visualizar a técnica, esse fator corroborou para a deficiência da experiência prática do subgrupo masculino. Neste sentido, o atendimento misto tende a garantir maior inserção do profissional do sexo oposto na promoção à saúde da mulher, e também minimizar a recusa das usuárias (NOGUEIRA et. al, 2017). CONSIDERAÇÕES FINAIS: Ao longo dos atendimentos na unidade, observou-se nitidamente a resistência e desconforto das usuárias quando eram indagadas se os acadêmicos do sexo masculino poderiam realizar ou somente acompanhar o procedimento do exame PCCU. Para tanto, reforça-se a importância da educação em saúde relacionada à quebra dos tabus quanto à presença de homens nos serviços voltados a saúde da mulher e elucidação dos aspectos éticos que regem a profissão, além de incentivar a inserção do homem e neste caso, dos acadêmicos de enfermagem, como profissionais éticos e qualificados para tal procedimento. Não obstante, é de suma importância elucidar o papel que as usuárias possuem no processo de formação acadêmica e de melhorias na qualidade do serviço oferecido, bem como esclarecer não somente a importância, mas também os benefícios que tal procedimento pode trazer a sua saúde e qualidade de vida.


Palavras-chave


Educação em Enfermagem; Teste de Papanicolau; Saúde da Mulher.